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Quinta-feira, 30.05.13

Um pouco da história do rio Una

Arthur Soffiati, foto de "fmanha" 

"Sou historiador ambiental ou eco-historiador, como prefiro. Estudo as relações das sociedades humanas com os ecossistemas.

Enquanto os pensadores muito racionais usam apenas os sentidos da visão e da audição, uso olfato, paladar e tato. Vamos tentar entender e sentir o que aconteceu com a Bacia do Una.

Pelo relatório de Hildebrando de Araujo Góes, um engenheiro que fundou o Departamento Nacional de Obras e Saneamento, órgão criado para drenar rios e lagoas, em 1934, data do relatório, a Bacia do Una continha muita água. Os rios que a formavam entravam em depressões no terreno e formavam banhados. Na outra ponta dos banhados, os rios apareciam de novo.

Por canais escavados no fundo dos banhados, eles foram drenados. O Canal da Malhada foi um dos drenos que esgotou uma grande quantidade de água doce para o mar. Sem encontrar mais a resistência da água doce de antes, as marés começaram a penetrar mais fundo no Rio Una e seus afluentes naturais ou abertos por dragas.

A mistura de água doce com água salgada forma a água salobra, ideal para o desenvolvimento dos manguezais. Na água doce, eles enfrentam a concorrência de plantas que resistem à umidade. Na água salgada, o sistema das plantas de manguezal não consegue lidar com muito sal. Um dia, conversaremos sobre a sabedoria das espécies de manguezal.

Na bacia do Rio Una, o manguezal avançou pelo Canal da Malhada e por pequenos canais que cortam a mata de restinga, chegando até a rodovia estadual. Só não entrei nessa mata por falta de autorização da Marinha, mas esta incursão ainda está nos meus projetos.

Assim, aonde você encontrar plantas de manguezal e guaiamuns, pode estar certa de que as marés chegam lá. O DNOS provocou um desequilíbrio ambiental na bacia do Una, permitindo a expansão do manguezal.

Agora, o governo do Estado pretende lançar a água resultante do esgoto tratado de forma terciária, que elimina quase toda carga orgânica, mas é preciso levar em conta os seguintes pontos:

1- Qual é a vazão média do Rio Una na foz.
2- Qual o volume de água a ser lançado na bacia
3- Qual o teor de salinidade na foz
4- Que alteração de vazão o aporte de água de esgoto tratado vai causar ao Una na foz
5- Qual será a mudança de salinidade.

Dependendo das respostas, um novo desequilíbrio ambiental pode ocorrer na bacia como um todo. A água doce pode reduzir a área de manguezal por não permitir que a língua salina penetre tão longe no trecho final do Una.

É preciso ponderar se desejamos um novo desequilíbrio no sistema. Espero que as respostas a estas perguntas estejam no suposto Estudo de Impacto Ambiental. Caso não estejam, precisamos cobrá-las."


Prof Arthur Soffiati
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por ipbuzios às 10:34


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